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23-Nov-2015 00:00 - Atualizado em 03/03/2017 15:39

A Educação ratifica e reproduz as desigualdades

Mais espantoso do que o desprezo que os ricos e a classe média dispensam à chamada "ralé" é o papel limitadíssimo da educação no enfrentamento das desigualdades

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A entrevista dada pelo sociólogo Jessé Souza, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), ao jornalista Mário Sérgio Conti, no dia 19/11/2015, sobre a sua obra intitulada "A ralé brasileira: quem é e como vive nos espanta e nos faz refletir sobre as humilhações e ofensas sofridas pelas classes populares no Brasil. Mais espantoso do que o desprezo que os ricos e a classe média dispensam aos trabalhadores braçais, que o sociólogo chama de ralé, é o papel limitadíssimo da educação no enfrentamento das desigualdades. Não temos dúvida sobre o poder de legitimação e reprodução dos privilégios de classe na escola a que ele se refere. A diferença se realiza desde a concepção; nos cuidados e na educação ao nascer. Tudo isto faz a diferença fundamental entre as crianças das classes populares e as das classes abastadas, no desempenho ao longo da trajetória escolar e da vida. Para o sociólogo, "na hora de determinar nosso destino econômico, poucas coisas importam tanto como a educação que recebemos ao nascer e nos primeiros anos de vida". Eu corroboro e acrescento que diferentemente dos filhos dos ricos, que têm franco acesso à educação infantil. as crianças das classes populares têm ingresso tardio, uma vez que não há creches, nem escolas infantis, em quantidade e qualidade suficientes para isso. Uma das diferenças bastante cruciais é que, enquanto os filhos dos ricos estudam em escolas bonitas, limpas, organizadas, têm aulas de línguas, artes, práticas esportivas etc., a escola pública, a escola das crianças das classes populares é suja, feia, fedorenta, desorganizada, com professores(as) mal pagos(as), infelizes e (de) formação precária. Esta escola pobre para pobres agrava a humilhação e a ofensa às crianças e adolescentes das classes populares, que o sociólogo chama de ralé; produz não aprendizagem e confirma o estigma de burros, tolos, preguiçosos e violentos. E, mais espantoso ainda é que a sociedade, por covardia, má fé ou conservadorismo tolera essa perversidade secular.

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