Imprensa

04-Mar-2020 15:56
Dia de Luta

Desafios, lutas e conquistas das mulheres são debatidos em audiência pública na Câmara Municipal de Sorocaba

Com o tema “Emancipação da Mulher”, a Câmara Municipal de Sorocaba realizou audiência pública na noite desta segunda-feira, 2, no plenário da Casa, para debater o Dia Internacional da Mulher, seus desafios, lutas e conquistas. O evento foi realizado por uma iniciativa conjunta das vereadoras Iara Bernardi (PT) e Fernanda Garcia (PSOL) e contou com representantes de várias entidades que militam na luta em defesa dos direitos das mulheres, entre outras entidades do movimento social.

Além das vereadoras, compuseram a mesa dos trabalhos as seguintes autoridades: vereadora Cíntia de Almeida (MDB); presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, advogada Emanuela Barros; professora Viviane Melo de Mendonça, pesquisadora sobre Gênero, Estudos Feministas e Sexualidade e docente da UFSCar (Universidade de Sorocaba); e advogada Iris Pedroso Lippi, representando o presidente da OAB São Paulo, Caio Augusto dos Santos.

Luta pela igualdade – A vereadora Fernanda Garcia, que presidiu uma parte dos trabalhos, afirmou que, em 2020, se completam 88 anos da conquista do voto feminino devido à luta das sufragistas, mas a mulher ainda tem pouca representatividade no parlamento, menos de 15%. “Nesta Casa de Leis, por exemplo, temos 20 cadeiras, mas apenas três mulheres vereadoras. É necessário que haja equidade, com 50% de mulheres participando da política”, enfatizou a parlamentar. Fernanda Garcia observou que uma mulher é morta a cada duas horas e lamentou que isso não seja visto como uma epidemia.

A vereadora Iara Bernardi afirmou que o ideal era não chegar ao 8 de março tendo que “tratar novamente da tragédia da violência contra a mulher, com um crescimento assustador dos casos de feminicídio”, por isso o tema “emancipação da mulher” foi escolhido para audiência pública. A parlamentar lembrou que, como deputada federal, procurou aprovar leis para combater essa violência e promover o direito das mulheres e defendeu que as profissões exercidas majoritariamente por mulheres sejam valorizadas. Também defendeu uma educação pela igualdade de gênero e fraternidade nas escolas, tanto para evitar retrocessos quanto para possibilitar avanços.

“Força da mulher” – “Sempre vi a feminilidade como uma força”, afirmou a vereadora Cíntia de Almeida,  rememorando exemplos das mulheres de sua própria família, que, segundo ela, demonstravam muita resistência. A vereadora destacou a sua luta pela criação de uma casa-abrigo para mulheres em situação de violência doméstica, criando-se, dessa forma, o Centro de Integração da Mulher, que, neste ano, completa 23 anos e foi aprovado mediante uma lei de autoria de Iara Bernardi. Cíntia de Almeida também destacou o papel do sociólogo Jorge Narciso, líder do movimento negro, na criação do referido centro, que, hoje, também busca reabilitar os homens autores de violência doméstica.

A advogada Iris Pedroso Lippi, primeira conselheira de Sorocaba, representando a presidência da OAB, enfatizou que as mulheres já obtiveram muitas conquistas no plano legal, mas ainda falta garantir a efetividade dessas leis. “Por isso, devemos lutar todo dia e não podemos aceitar nenhum retrocesso”, destacou. Por sua vez, Emanuela Barros, presidente do Conselho da Mulher, enfatizou que a emancipação da mulher é uma luta coletiva e enfatizou que o atual governo do país é um inimigo dos direitos das mulheres. A ex-vereadora Tânia Bacelli, do Instituto Plenu, também esteve presente.

Emancipação da mulher – A audiência pública também contou com palestra sobre “Emancipação da Mulher”, proferida pela professora Viviane Melo de Mendonça, docente associada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no Campus de Sorocaba, e pesquisadora sobre Gênero, Estudos Feministas e Sexualidade, além de mestre em Psicologia pela PUC de Campinas e doutora em Educação pela Unicamp. A palestrante defendeu a ampliação da participação da mulher na política, cobrou respostas sobre o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e defendeu a importância de se preservar e resgatar a memória das lutas das mulheres.

Citando escritoras negras como Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus e a filósofa e escritora feminista Simone de Beauvoir, autora do clássico O Segundo Sexo, publicado em 1949, a professora Viviane Melo de Mendonça afirmou: “Apropriar-se da palavra própria é emancipação, e as mulheres devem apropriar-se de sua própria fala. É o nosso direito ao corpo, é o nosso direito à fala, é o nosso lugar de fala, que é político, evidentemente, porque, ao falar, ao gritar, ao se manifestar, visa a transformar radicalmente as estruturas sociais violentas, desiguais, e que fazem com que as mulheres sejam subalternizadas, assediadas, violentadas, assassinadas e tenham  menores salários” – afirmou a palestrante.

A professora da UFSCar afirmou que a educação é sexista e produz homens machistas, além de levar as mulheres a introjetarem esses valores, aceitando como natural o mundo heteronormativo. “Saber que a culpa não é nossa é um aprendizado”, afirmou Viviane Mendonça. A palestrante também discorreu sobre questões de gênero, defendeu o papel das mulheres como protagonistas da história e destacou a necessidade de mudanças estruturais na sociedade, para que ela se torne mais justa e solidária. “E assim lutamos contra essa violência cotidiana que nos ataca, simbólica e fisicamente”, concluiu a palestrante.

Após a palestra, a vereadora Fernanda Garcia passou a presidência dos trabalhos para a vereadora Iara  Bernardi (PT), que abriu a palavra para o público presente. Tânia Bacelli ressaltou a importância da educação sexual nas escolas. Uma representante do Sebrae falou sobre o Programa “Mil Mulheres”, que tem como objetivo capacitar para o empreendedorismo mulheres da região de Sorocaba. Diversas outras participantes, inclusive um membro da Guarda Civil Municipal, também fizeram questionamentos. Já Consuelo, representante do Movimento Conservador, também fez uso da palavra e defendeu as mulheres conservadoras e cristãs.

Assessoria de Imprensa
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