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13-Mai-2015 00:00 - Atualizado em 03/03/2017 15:39

Há violência quando os alunos não aprendem

Por Maria José Rocha Lima

Os comportamentos antissociais dos alunos têm origens diversas, mas a dinâmica no interior da escola é responsável por boa parte da violência: a metodologia inadequada; excesso de conteúdos; conteúdos sem relação com a vida e que não correspondam às suas necessidades.

Alunos analfabetos nas séries avançadas do ensino fundamental são frequentes nas escolas públicas, eles são os gaiatos, os rebeldes e por não conseguirem acompanhar se desesperam, ficando humilhados, incivilizados, violentos, terminando por se desgarrarem da turma. Outros alunos reclamam das aulas monótonas, repetitivas e que em alguns casos são realizadas apenas leituras de livros didáticos ou séries de exercícios, sem emoção, sem humor, sem leveza.

A disciplina exigida é a do silêncio, da submissão, da imobilidade. Quase sempre os alunos enfileirados, um olhando para a nuca do outro, cada um por si, copiando do quadro de giz, não havendo trocas, nem ajudas mútuas, menos ainda reciprocidades, mas conluio ou competição.

Também há uma incompatibilidade de tempos de aprendizagens e progressão automática, escondendo as não aprendizagens, o que só funciona para o sistema escolar, que ostenta as estatísticas de alunos que concluem o ensino fundamental, mas os alunos sabem que não estão aprendendo, eles sofrem e se revoltam, humilhados por não se constituírem como alunos e não se sentirem pertencendo à turma, debandam, sendo muitas vezes capturados por bandos do submundo do crime, passando a consumir drogas e praticar infrações.

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