Imprensa

04-Mar-2016 00:00 - Atualizado em 03/03/2017 15:40

O caos da saúde em Sorocaba

O governo do prefeito Pannunzio completou três anos em 2015 e, nesse período, teve três secretários da Saúde

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Mal terminamos o segundo mês de 2016 e, desde o começo do ano, já enfrentamos várias situações que demonstram o quão caótica está a situação da saúde em Sorocaba. Não que em 2015 ou nos anos anteriores ela estivesse melhor. Longe disso. A questão é que (re) surgiu na imprensa - inclusive em nível nacional - fatos novos e antigos que só demonstram a ineficiência do atual governo municipal em lidar com essa área.

O governo do prefeito Pannunzio completou três anos em 2015 e, nesse período, teve três secretários da Saúde. O atual, Francisco Antonio Fernandes, diz que está fazendo o que pode, indicando problemas como a burocracia de certos processos e mesmo os ajustes que ele está realizando para colocar a casa em ordem.

Recentemente, estive em reunião do Conselho Municipal de Saúde para apresentar um documento que ali protocolei listando uma série de problemas que enfrentamos hoje em dia no tratamento e diagnóstico do câncer em toda nossa região, que abrange quase 50 municípios. Para atender essas cidades, temos apenas um único aparelho dedicado ao tratamento de radioterapia, na Santa Casa - e o mesmo ficou alguns dias quebrado, fazendo com que os pacientes da região tivessem de se deslocar a outros centros de tratamento, em Guarulhos, Campinas ou Barretos. Sem falar que o equipamento daqui é antigo e se utiliza de uma tecnologia bastante ultrapassada, a base de cobalto, o que é comprovadamente agressivo para o organismo do paciente.

Enquanto isso, no Conjunto Hospitalar de Sorocaba, quem atende os pacientes são os médicos residentes e os contratados pelo estado. Os professores da Universidade não atendem a população, diferente do que acontece em qualquer outro hospital escola, que é o caso do CHS.

Não bastasse essa situação, o CHS ainda se vê envolvido em escândalos de corrupção. Desde meus tempos de vereadora, nos anos 80 e 90, foram inúmeras as denúncias que apresentei, nunca investigadas. Como deputada federal fiz o mesmo - e também nada aconteceu. Na Operação Hipócrates, desencadeada em 2011, várias pessoas do CHS foram indiciadas e o inquérito até hoje não se concluiu. Há duas semanas, soubemos pela imprensa que uma mesma funcionária já investigada por desvio de medicamentos de alto custo continuava trabalhando na instituição e ainda praticando o mesmo delito, tendo subtraído cerca de R$ 2 milhões. Como pode? Ninguém fiscaliza, investiga?

Outros hospitais estaduais do interior de São Paulo não estão nessa situação. O mesmo recurso que chega para que Barretos, Bauru, Campinas, São José do Rio Preto e outras cidades mantenham seus hospitais em funcionamento chega (ou deveria chegar) a Sorocaba. Já visitei esses hospitais e a diferença entre eles e nosso CHS é escandalosa. Questionei o Secretário Municipal de Saúde do porquê das instituições e dos deputados da região nada fazerem para pressionar o Secretário Estadual e o governador Alckmin e cobrar mais atenção. Somos uma das mais importantes cidades do interior de São Paulo e o próprio Secretário Francisco Fernandes reconheceu, me mostrando dados estatísticos, que nossa região é a pior atendida no tratamento e diagnóstico do câncer.

Falta vontade política para se buscar uma solução aos nossos problemas. Não vi, até o momento, nenhuma manifestação ou ação concreta de deputados federais e estaduais locais para reverter esse quadro. Como deputada federal, consegui, em 2013, recursos no valor de R$ 500 mil para reforma de Unidades Básicas de Saúde em Sorocaba e também para compra de insumos e equipamentos. Até agora isso não foi utilizado. Ainda antes já tinha conseguido outros R$ 200 mil que serão, somente agora, empregados na reforma da UBS de Aparecidinha, que visitei e constatei a situação precária em que está atualmente.

Além desses R$ 700 mil, outros R$ 600 mil em recursos foram disponibilizados pelo Ministério da Saúde para a compra de equipamentos e implementação do futuro Centro de Referência de Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Mama e Colo de Útero, os que mais matam no Brasil e no mundo. Apesar de disponíveis desde 2013, somente agora a Prefeitura iniciou os preparativos para se abrir o processo de licitação da compra dos equipamentos para sua instalação na Policlínca. Com isso, o início das atividades do Centro pode não estar pronto antes de janeiro de 2017.

Novamente, falta de vontade política.

Pedi ao Secretário local e aos conselheiros da Saúde que se mobilizem para que, com pressão sobre as autoridades e o governo estadual, possamos sair dessa situação absurda. Temos que atentar que o CHS é referência em nossa região e não temos outro hospital público para realizar os atendimentos. E é ele que precisa receber investimentos e equipamentos do governo estadual.

De minha parte, continuarei cobrando o uso dos recursos que nosso mandato conseguiu e outras situações enquanto os pacientes daqui viverem no caos que está essa área na região.

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